Certicafé: startup descomplicou a certificação e abriu novos mercados para o café brasileiro

Facebook
Twitter
WhatsApp

 

Em 2019, três filhos de cafeicultores – Mauro, Leonardo e Luciano – decidiram enfrentar um problema que há anos tirava o sono de muitos produtores de café: o processo de certificação. Caro, burocrático e confuso, ele afastava produtores de oportunidades valiosas e de mercados dispostos a pagar mais pelo café sustentável. Esse foi o pontapé para a criação da Certicafé. 

O trio, criado entre talhões de café e histórias de esforço no campo, percebeu que havia um enorme espaço para inovar. A solução? Criar uma plataforma tecnológica que tornasse a certificação simples, acessível e digital – algo até então impensável para muitos no setor. 

Sócios Leandro, Mauro e Leonardo.

Dor de mercado e solução

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, cada vez mais compradores exigem selos que atestem boas práticas socioambientais. Sem certificação, muitos produtores ficam de fora de contratos premium.

Certificafé nasceu para mudar esse cenário. Sua plataforma combina monitoramento agrícola, compliance socioambiental e inteligência artificial para diagnosticar e orientar o produtor rumo à certificação, reduzindo até 60% da burocracia do processo.

Com ela, o produtor sabe exatamente o que precisa fazer, investir e comprovar. O resultado: acesso a novos mercados, cafés de maior valor agregado e mais lucro – tudo 100% digital.

O modelo de negócios da Certificafé é baseado em SaaS (Software as a Service), com assinatura anual recorrente. No início, o produtor recebe um diagnóstico que mostra tudo o que sua fazenda precisa ter, fazer e investir para conquistar uma certificação. Depois, para manter o título, é necessário passar por auditorias anuais na propriedade.

Ao superar o desafio de automatizar um processo antes totalmente manual e conquistar a confiança de um setor tradicional, a startup provou que é possível reduzir em até 60% a burocracia da certificação. Esse diferencial impulsionou seu crescimento, permitindo que a empresa dobrasse de tamanho a cada ano.

Hoje, a Certificafé já conta com um perfil diversificado de clientes, incluindo grandes multinacionais, cooperativas e tradings, como LDC, Syngenta, Cooxupé e o Governo do Estado do Espírito Santo. Nesses casos, é comercializada uma licença da plataforma para que elas implementem a certificação nos produtores cooperados e parceiros.

Quais os marcos estratégicos da empresa?

Para Mauro Júnior, fundador e CEO da Certificafé, dois dos principais marcos da trajetória foram:

  • a validação da solução em uma fazenda que precisava passar por auditoria de certificação em plena pandemia, em um cenário completamente adverso;
  • e a primeira venda para uma cooperativa de agricultura familiar que necessitava da certificação orgânica para seus cafés e estava sob risco de fechar as portas caso não conseguisse o selo.

O reconhecimento também veio nos palcos: a Certificafé venceu desafios da AgroAmazôniaAgrogalaxySebrae Like a Farmer e, mais recentemente, foi eleita Startup Destaque no estágio Seed no prêmio Agrimatching no Rural Summit, evento realizado pela Rural, Arara Seed e The Yield Lab Latam.

Founders Luciano e Mauro acompanhados de integrantes do time Rural Ventures.

Uma dedicação que está no sangue

A principal inspiração dos fundadores está muito mais próxima do que se imagina: suas próprias famílias. Quando questionado sobre benchmarks, Mauro Júnior respondeu:

“Nos inspiramos no trabalho de nossos pais, que com muito amor e dedicação trabalham todos os dias no campo, enfrentando as intempéries climáticas e todos os problemas que acontecem nesta indústria a céu aberto, para produzir um alimento de qualidade. Isso sempre nos mostra a importância de ter sabedoria para mudar, resiliência e persistência para seguir em frente.”

Esse vínculo com o campo reforça ainda mais o propósito da Certificafé: facilitar a comprovação da sustentabilidade e ajudar o Brasil a se defender e se posicionar como o celeiro sustentável que alimenta o mundo sem prejudicar as futuras gerações.

Vale destacar que, até hoje, a empresa nunca recebeu investimentos externos. Os fundadores optaram por seguir no modelo tradicional de bootstrapping, financiando seu crescimento de forma orgânica.

E o futuro da Certificafé?

Olhando para frente, a Certificafé seguirá com a missão de simplificar a certificação na agricultura brasileira. A agtech já estuda novos caminhos para escalar o negócio, como expandir sua atuação para a cadeia da soja e ampliar integrações com tecnologias emergentes, entre elas blockchain e georreferenciamento.

Assim, a empresa reforça seu compromisso em transformar a forma como o agronegócio brasileiro se relaciona com a sustentabilidade, contribuindo para um setor mais justo, competitivo e inovador.